segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pó ano é que é!

-Diz que amanhã é um novo ano. Porreiro, pá!
-Diz que é altura de fazer um balanço do ano que acaba. Não me apetece!
-Diz que se deve estrear uma cueca azul (vermelha também???). Hum, deixa estar!
-Diz que se deve comer 12 passas e pedir 12 desejos. Para quê?
-Diz que se deve brindar com champanhe. Nã... prefiro vinho!
-Diz que se deve festejar a passagem do ano como deve ser. Vamos embora!




-Diz que em numerologia, o 8 é o número da construção e da destruição. Ou seja, 2008 vai ser um ano como os outros. Vamos ver coisas giras a criar-se à nossa volta e outras a definharem e a desaparecer.
-'É a vida, o que é que se há-de fazer? Viver!'

-A todos um Grande ano novo e um réveillon do catano!

-Até para o ano.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

la revoltosa y tan perdida

E porque o Natal já lá vai e porque este ano a noite de consoada foi sinónimo de bebedeira descomunal e o dia 25 de ressaca desumana e porque estupidamente nesta altura não estou de férias e também porque não tenho actualizado esta baiuca e também porque tenho de ir andando, aqui fica o post clichè de quem não tem nada para dizer no seu blog:

Uma musiquinha!



Mas não uma música qualquer, oubistes?
Manu Chao - 'Me Llaman Calle' do último 'La Radiolina', um dos melhores de 2007.

Vou ali já venho.

sábado, 22 de dezembro de 2007


Esperando que tenham sido umas meninas e uns meninos bem-comportados...


...tenham um Natal porreiro pá, porreiro!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

How does it feel?

Hoje foi dia de Bob Dylan 'a casa mia'.

Cada vez que o oiço, descubro coisas novas, sejam sentidos nas letras, sejam pormenores na música, sejam mesmo referências a pessoas, sítios, ocasiões que antes não tinha descortinado.

É um enorme poeta e sê-lo-ia sempre, mesmo se não tivesse sido contaminado por Woodie Guthrie e não tivesse escolhido a guitarra e a harmónica como veículo para as suas palavras.

Escolher uma canção para ilustrar tão vasta e completa obra será sempre redundante.

De qualquer maneira...

Esta canção foi considerada em 2004 pela revista Rolling Stone como a melhor canção de sempre, encabeçando uma lista de 500 canções históricas.

A canção faz parte do álbum de 1965 'Highway 61 Revisited' e mostra como tudo o que sobe acaba sempre por descer. Também desta letra saiu a frase-título do excelente documentário de Martin Scorsese sobre Dylan, 'No Direction Home'.

Senhoras e senhores,





'Bob Dylan - Like a Rolling Stone'

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

'E as simples ansiedades ditam sentenças friamente ao ouvido'

Só me oferecem o que não procuro, o que não preciso, o que não almejo.

Azar dos azares é ver um desejo satisfeito pela pessoa errada.

Não consigo conceber que haja alguma lógica universal a regular seja o que for.

Porque até as maiores coincidências não passam de conjugações de acasos.

E recordar o passado é bom mas lembrá-lo demais é doentio.

A simpatia e a sinceridade não dançam bem uma com a outra.

As emoções são camufláveis mas dificilmente se conseguem adulterar.

O relativismo de tudo o que existe é o melhor cobertor para este Inverno.

Planear o futuro soa bem mas vê-lo construir-se perante nós tem muito mais piada.

Ter sonhos que queremos sejam premonitórios é horrível.

E

conhecer alguém é saber em Agosto o que lhe vamos oferecer no Natal.



domingo, 16 de dezembro de 2007

Scotland Yard

Deve existir algo no ar que se respira em Glasgow.
Tem de haver qualquer coisa que explique a quantidade de boas bandas que têm saído daquela cidade escocesa nos últimos anos.

Desde os Belle & Sebastian ao The Cinematics, dos Snow Patrol aos Camera Obscura; a lista é grande e suficientemente abrangente para agradar ao menino e à menina, aos singelos ouvintes FM, aos mais apurados melómanos, até mesmo aos pseudo-intelectuais da música, aqueles que lhes faz comichão admitir que gostam de uma banda que mais de 8 pessoas conheçam.

E não, não me esqueci de mencionar os Franz Ferdinand, sem dúvida os meus preferidos.Mas não são eles o alvo do presente empreendimento. Mas é a partir deles que lá chegarei pois foi partilhando o palco com a banda de ‘Take Me Out’ no Lisboa Soundz em 2005 que estes nos visitaram pela última vez.

Falo dos Mogwai. Um dos expoentes máximos do denominado post-rock, criadores de ‘canções’ envolventes e atmosféricas, capazes de alternar entre momentos da mais doce melodia e abrasivos riffs de guitarra plenos de distorção, dando uma densidade às suas músicas que nos faz esquecer a importância das letras e dar atenção à música propriamente dita.

Apesar de uns furos abaixo dos anteriores CDs, (por exemplo ‘Rock Action’ de 2001, na minha humilde opinião o seu melhor álbum) os Mogwai lançaram em 2006 ‘Mr Beast’, onde se encontra esta pérola, para mim a melhor do álbum. E ainda mais com referência a essa cidade que quero visitar já!
Mogwai – Glasgow Mega-Snake

sábado, 15 de dezembro de 2007

Lá fora chamam-lhe 'update'

Grande Belém!



Se jogassem sempre metade do que jogaram ontem...


*


Hoje* como antigamente, nada temos que temer...


Belenenses para a frente, com a certeza de vencer! :)

*19h30 @ Restelo CFB - slb



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Um pontapé na crise

Encontrei hoje esta catarse em forma de jogo, que consiste em dar um valente chuto no traseiro do ainda presidente da União Europeia e primeiro-ministro do nosso 'país', e ver até onde ele chega.

Depois de algum treino, onde tive inclusive de mudar de botas, consegui projectar o Ex-ministro do Ambiente uns belos 108 115 metros.

Isto equivale a dizer que, se esta manhã o tivesse apanhado a jeito ali pelos Jerónimos, tê-lo-ia mandado para uma de tão bonitas terriolas como Alcobaça, Torres Novas, Évora, Santiago do Cacém ou o mesmo um qualquer ilhéu no mar alto.

O que era uma chatice, porque depois ficavam esses engravatados todos dos 27 sem um anfitrião, e tinha de ser o Cavaco a fazer as honras da casa, e já se sabe que o Cavaco foi para o Palácio de Belém para ter paz e sossego mais a sua Maria, e não para a andar a dar palmadinhas nas costas de gajos cujo nome ele não sabe nem quer saber pronunciar.

Mas de qualquer maneira, vejam até onde conseguem mandá-lo.
Até Badajoz já não era mau.




Dica da semana: Quanto mais espetado estiver o cu do Zé, mais longa é a viagem. :)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

whose sounds caress my ear

Se havia um sítio no mundo onde se devia estar ontem à noite, esse sítio era a O2 Arena de Londres.

Dezanove anos depois, os Led Zeppelin, uma das maiores, melhores e mais influentes bandas da história da música, reuniram-se para um concerto único, em todos os sentidos.

Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, ¾ da mítica formação juntaram-se a Jason Bonham, filho do baterista original John Bonham, falecido em 1980, e durante duas horas e dezasseis temas, brindaram cerca de 20 000 ricos e sortudos fãs com uma actuação, ao que parece, a todos os títulos brilhante.

Como não estive lá, terei de me contentar com isto:




Kashmir

sábado, 8 de dezembro de 2007

Nunca mais é Janeiro

Maldita presidência portuguesa da União Europeia. Maldita Cimeira Europa-África. Tenho-lhes um pó que não posso.

Hoje apanhei com prolongados cortes de estrada, polícias sinaleiros imbecis, batedores mal-criados, radares inconstitucionais, até sinais vermelhos que afinal eram verdes, ou era o contrário? Não interessa; em suma, um aparato estapafúrdio por essa Lisboa fora, tanto na ida como na vinda para casa.

E tudo para que as potências europeias mais o Sócrates, o palhaço pobre deste circo, tentem engatar com falinhas mansas e propostas, imagino eu, indecentes, o Khadafi e outros senhores do petróleo africano a negociarem com eles o seu ouro negro, bitola da economia mundial. Tudo sobre a fachada da paz ou do desenvolvimento ou do ‘estreitar de relações’ entre os dois continentes. Bah. Baboseiras.


verruga sexy!

Para lá, como ia todo contente a caminho do Restelo para ver o Belém, até que tolerei qualquer coisinha, como um quase-abalroamento que me iam fazendo ali por Xabregas, para deixar passar (muito acima dos 50km/h permitidos pelo radar, seus sacanas!) um qualquer ilustre diplomata. E ainda por cima mandam vir, sem modos, sem nada. Se calhar porque o meu carro não levantou voo para eles poderem passar todos a 120 à hora. Porcos!

Mas para cá é que foi o Caos. Depois de sair fodido (desculpem, é mesmo este o termo) do Estádio, eis que todos os palermas da Cimeira resolvem voltar para os hotéis (parece que a escumalha está ali toda para Cascais) e para tal, parece que é preciso cortar o trânsito no sentido oposto. A nossa polícia sempre na vanguarda, sim senhor.

Foi assim logo nos Jardins de Belém, depois em absurda repetição em Alcântara, Santos, Cais do Sodré (aqui perfeitamente exasperante) e Terreiro do Paço. Porra!

Não há direito! Vem um gajo aborrecido com o funesto fado da sua equipa de futebol e ainda leva com esta porcaria toda em cima. E ainda dizem que o sábado é para descansar.

Depois uma pessoa refugia-se no álcool e dizem que a culpa é dos pais ou do marketing.

Não é! É do poder político a nível intercontinental. E do futebol, que desgraça famílias.

Adeus.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Só sei que nada sei.

Encontrei este teste algures num blogue, e como até há bocadinho pensava saber duas coisas sobre cinema, dispus-me prontamente a tentar um brilharete.

Bem, a chocante verdade é esta:




E vocês?

Epifania

A vida é outra, no meio do nevoeiro.




terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Genialidade

Dizem que a felicidade encontra-se nos pequenos pormenores.
Pois que seja. Para mim esse pormenor é redondo, tem 12 cm de diâmetro e um buraco no meio. Pode parecer outra coisa mas é mesmo o DVD com esta capa, que por estes dias me vai acompanhando e dando algum alento e alegria:


:)

É que isto para um fã de Nirvana, é uma autêntica ginja!

Além de ter o concerto todo, (os 66 minutos reais da actuação e não os 44 minutos editados pela MTV) onde se encontram alguns curiosos interlúdios em que a banda dialoga entre si e com o público, onde tocam as intros de várias canções suas (e não só) que ameaçavam entrar na setlist, tem ainda os ensaios, entrevistas, a versão MTV e uma bonita e cuidada apresentação gráfica.

E depois a questão do Dolby 5.1. Nunca fui um purista do som, para mim um bom álbum ou concerto serão sempre bons, estejam gravados num vinil com 40 anos, numa cassete com 20 anos ou no melhor dos suportes digitais.

Mas desta vez há que dizer que a qualidade superior do áudio em relação à versão CD de 1994 faz uma diferença louca. Ouve-se todo e cada instrumento, vocalizações incluídas, quase em suspensão no ar. Dá mesmo para fechar os olhos e viajar até aos Sony Music Studios de NYC, em 18 de Novembro de 1993.
E é isso que vou fazer agora. Só mais um bocadinho...

Abençoados 18,95€ que deixei voar da carteira.

E porque há coisas que só visto:


E já agora, porque me apetece chamar-vos nomes, aqui vai:


Cambada de génios é o que vocês são todos!
Só mesmo com um Q.I. a roçar o 200 é que se consegue alcançar a (falta de) profundidade dos pensamentos imbecis do (ir)responsável desta baiuca.

*



domingo, 2 de dezembro de 2007

Erasmus...


... vá para fora cá dentro.

A cidade-estado de Coimbra, tomada logo no século XIII por esse povo bárbaro que são os estudantes universitários, e desde então por eles governada com progressivamente menos vergonha na cara, é hoje em dia, e isto sou eu que digo, uma das cidades do mundo onde é mais difícil tirar um curso superior.

Isto porque ali, a Boémia (não a cerveja, mas também) tem uma força absolutamente incrível, um polvo com 100 braços, 1000 tentáculos, 10000 maneiras de lixar os planos a uma pessoa que chegue lá com a ideia de pacatamente obter a sua licenciatura.
Não dá. Acho que está provado que é impossível.

Desta vez, tive o privilégio de voltar a Coimbra e poder revê-la de um outro ponto de vista, seguindo os passos embriagados de uns amigos italianos que ali estão a desgraçar a sua vida no melhor dos sentidos possível, no âmbito do programa Erasmus.

E foi o mais perto que tive de Itália e dessa vida de “estudante” no estrangeiro, desde que de lá parti. Foi uma espécie de mini-Erasmus, sem sair do país. Com direito a comida italiana feita por quem sabe e tudo.

Desde as repúblicas às festas desta e da outra faculdade, das tascas à ‘associação’, à zona velha, à baixa, o rio, os copos, as pessoas, o espírito que se respira; tudo conflui no sentido de sentir uma passagem por Coimbra, nestas circunstâncias, como algo a repetir o mais rápido possível.

A todos os envolvidos, obrigado e até já.

P.S.: A foto do post precedente, era gira mas não é minha. Achei-a no Google. O autor que se acuse.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Num dá bobeira não. Cê tá na minha mão.

Tema-título da nova coqueluche do cinema brasileiro, Tropa de Elite.

Afinal, o Brasil não é só samba. Rock simpático a fazer lembrar Rage Against The Machine, aqui e ali. A banda? Tihuana, de seu nome.



Tropa de Elite, osso duro de roer
Pega um pega geral, também vai pegar você

:D

Ah, o filme também é giro...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Infinita Tristeza

Que o Natal já não é o que era, já eu sei há muito tempo. Aliás, acho até que já tinha acabado quando eu nasci.

O Natal da minha geração significa despesas. Não vale tentar escamotear esta premissa com a 39ª reposição do “Música no Coração” no dia 25 e o Natal dos Hospitais umas semanas antes. E escusam de dar a missa do galo porque isto não tem nada a ver com o Cristo.

Tem a ver sim, com gastar dinheiro; e eu até consigo perceber que a esmagadora maioria do bom povo faça das tripas coração para poder oferecer prendas à família e aos amigos todos e até aqueles com quem não podem nem com o cheiro mas que fica bem oferecer qualquer bodega num embrulho catita.

Afinal vivemos numa sociedade capitalista de consumo em que o materialismo conta muitíssimo e onde é difícil manter o monstro fora de portas. É assim que as coisas funcionam no chamado ‘ocidente’.

Mas o que me leva a escrever o presente decreto-lei não é tanto esse lado do Natal. É sim algo muito mais repugnante e viscoso, que infelizmente se prolonga todo o ano e que estranhamente encontra nesta quadra uma das alturas melhores para o ‘negócio’.

Estou a falar do circo.

Estou a falar desse campo de concentração itinerante que monta um suposto espectáculo à custa do sofrimento e da ignomínia de dezenas de animais; e assim chupa mais uns euros ao bruto povão que aplaude com cara de gente parva uma meia dúzia de reflexos condicionados apreendidos pelos pobres bichos, após semanas, meses, toda uma existência de cruéis maus-tratos e agressões em condições de vida no limite da sobrevivência.

Ursos dançantes no Circo Soledad Cardinali. Um número de circo em que a ridicularização dos animais é o aspecto central.

Logo por manifesta pouca sorte, tenho aqui à beira da porta, num raio de 4km, dois dos mais indignos representantes dessa indústria do terror. No recinto onde se faz o SBSR temos a tenda branca mas nada pura e inocente dos Cardinalli, essa família de carniceiros. Ao lado da Gare do Oriente está montado o Chen, outra dinastia de pérfidos assassinos.

Pónei extremamente magro mantido no Circo Chen 2.

Para estes animais a época do Natal é sinónimo de humilhações físicas e morais diárias. Não há fins-de-semana nem folgas, só agonia e opressão.

Escusado será dizer que era giro se quem perdeu o seu tempo a ler isto até aqui, boicotasse este espectáculo que de espectacular não tem nada e que tentasse dissuadir alguém um pouco mais pobre de espírito que estivesse a pensar financiar com a compra dum bilhete, tamanha afronta aos direitos dos animais.

Não sou demagogo nem utópico, não almejo à extinção de todos os circos; desejo sim sensibilizar alguém para este problema e se evitasse que uma pessoa deixasse de ir ao circo, ficava mesmo contente.


As fotos e os comentários às mesmas são da autoria da Animal.
Para a cruel verdade em fotos e vídeo, seguir o link.



sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Eu queria.




Em resposta ao desafio lançado pela Tulaunia aqui vai finalmente a minha carta ao Pai Natalício:

"Amigo Nico, sabes bem que não sou puto de pregar petas, por isso se te digo que me portei bem é porque me portei bem, ok?
Por isso e porque eu ainda vejo desenhos animados, quero que me enfies pela chaminé abaixo o seguinte rol de pedidos:

Eu queria um carrito só para mim.
Não precisa de ser um bólide, basta ser giro e que chegue aos sítios.

Eu queria um emprego mesmo porreiro!
E que se possível fosse bem pago.

Eu queria uma Scarlett Johansson para me aquecer,
mesmo quando tivesse calor.


Eu queria não pensar que o meu país é uma merda.

Eu queria um astrolábio para encontrar um rumo.
Ou então um GPS espiritual para ligar às orelhas.

Eu queria uma garrafita de amêndoa amarga.
Essa podia vir já.

Eu queria que pelo menos uma destas fantasias fosse realidade quando no dia 24 de Dezembro à meia-noite me levantar da caminha e meio estremunhado olhar para debaixo da árvore.
Vou rezar uma coisa qualquer em rima para que me caia uma Scarlett pela chaminé a baixo.

Um abraço Zé do Natal.

Cuidado com as rabanadas."



Agora vou beber essa amêndoa, porque se tiver à espera do gordo...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Querem-me matar!

Porra, estou nervoso como já não estava há muito tempo!

Quase que me veio o vómito!

E a culpa é destes sacanas da Selecção!

Não jogam nada, nada, nada! NADA!

Uma qualificação ridícula, sem uma única vitória contra Polónia, Sérvia e Finlândia, as três selecções que sabem jogar à bola!
Só conseguimos ganhar a uma Bélgica irreconhecível e aos analfabetos do futebol Arménia, Azerbaijão e Cazaquistão.

Vão-se esconder.

Peço desculpa pelo desabafo.

Vou ver de viagens para a Áustria :)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Diz-me a cor do teu pente dir-te-ei quem és!


Aceitando o repto lançado pela menina leila* e agora que ela nos ameaça a todos com o seu regresso das terras do Veneto, aqui fica a minha humilde contribuição para esse mundo fascinante das informações perfeitamente inúteis.

1. Alguém que te fez rir ontem à noite? Muita gente. Dou-me com muitos palhaços.
2. O que estavas a fazer às 08 da manhã? A dormir, tão bom que é!
3. O que estavas a fazer há 30 minutos atrás? Gozava um genuíno momento do mais puro ócio num café perto de si.
4. O que te aconteceu em 2006? Bem, tanta coisa. Entre elas, vivi no estrangeiro e conheci mil pessoas e locais lindos.
5. O que foi a última coisa que disseste? “Ai não!”
6. Quantas bebidas bebeste hoje? Leite, água e café.
7. Qual é a cor do teu pente? Depende do bronze. É da cor dos meus dedos.
8. Qual foi a última coisa que pagaste? Um café e um rissol de camarão.
9. Onde estavas ontem à noite? Chez-moi.
10. Qual é a cor da porta de entrada da tua casa? É castanha-escura.
11. Onde guardas os teus trocos? Na carteira e às vezes num porta-moedas pequeno que encontrei uma vez cheio de estupefacientes.
12. Como está o tempo hoje? Está de chuva e faz frio. Nada simpático.
13. Melhor sabor de gelado? Não tenho preferidos mas o corneto de leite-creme é mesmo bom!
14. O que te anima na vida? Rir!
15. Queres cortar o teu cabelo? Quero. Já está a pedi-las.
16. Tens mais de 25 anos? Mais? Não…
17. Falas muito? Vou do 8 ao 80. Depende das pessoas e do ambiente, e às vezes de quanto vinho tiver no bucho.
18. Vês o O.C.? Não vejo isso. Não curto novelas.
19. Conheces alguém chamado Steven? Não.
20. Inventas as tuas próprias palavras? Sim, bastantes. Tenho até um dialecto próprio que só eu e outra pessoa tão demente quanto eu entende.
21. És uma pessoa invejosa? Por vezes sou. Mas aprendi a contentar-me com o que vou tendo…
22. Diz o nome de um(a) amigo/a cujo nome comece por 'A' – Ana.
23. Diz o nome de um(a) amigo/a cujo nome comece por 'K' - Kira.
24. A primeira pessoa que está na tua lista de chamadas recebidas de hoje? Barrigana.
25. O que é que o teu último sms diz? “siga tomar uma cafezada?”
26. Mastigas a palhinha das bebidas? Nã senhori.
27. Tens cabelo encaracolado? Se o deixasse crescer sim. Tipo Marco Paulo dos bons velhos tempos.
28. Para onde vais a seguir? Para a banheira. Mentira, para o poliban.
29. Quem é a pessoa mais mal-educada na tua vida? Esta pergunta é estranha. Mas sou eu, ou então a minha irmã quando a consigo enervar a sério.
30. O que foi a última coisa que comeste? Iogurte.
31. Vais-te casar no futuro? Existe essa possibilidade.
32. Qual foi o melhor filme que viste nestas últimas duas semanas? Esta é difícil. O melhor diria que foi o ‘Sügisball’ mas o mais giro foi sem dúvida o ‘Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón’, Almodóvar vintage.
33. Existe alguém de quem gostes neste momento? Claro! Gostar é bom e eu tenho uma caixa torácica grande.
34. Quando é que foi a última vez que lavaste a loiça? Há coisa de 15 dias.
35. Estás deprimido neste momento? Os deprimidos dizem sempre que não estão em depressão. Por isso digo que sim.
36. Choraste hoje? Nada. Mas para o jantar vou fazer um refogado…
37. Porque respondeste a este questionário? Porque a leila* mo ‘pediu’ e há certos tipos de pessoas que não convém contrariar.
38. Etiqueta 5 pessoas para responder a este questionário.
Etiqueta? Bem, etiqueta é coisa que estes não têm:

domingo, 18 de novembro de 2007

Ser bombeiro não deve ser fácil

Parque das Nações Sul...

Momento psicadélico do dia:


- vi o Bill Murray a fazer meditação transcendental na praia de Carcavelos. Vi mesmo. Era ele. A não ser que alguém me prove 'por a + b' que esta tarde ele estava num qualquer outro ponto do globo...

Ódio de estimação do dia:

- revisores da CP. Incompetência, falta de respeito e má-fé. Não querendo generalizar mas fazendo-o, são uns filhos da **** completos!

Personalidade do dia:

- Bill Murray!

:)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O futuro num borrão de tinta

Hoje ouvi um bocado de rádio. Não descobri nenhuma banda nova preferida, muito pelo contrário. Está tudo na mesma.


Descobri sim que o pessoal da meteorologia anda todo trocado e que hoje em dia até a senhora da limpeza do INMG tem direito a fazer a sua previsão sobre o tempo que aí vem.


Primeiro, ouvi um engenheiro que dizia que estávamos a atravessar um período seco, que explicava ele é diferente de uma seca. Disse até que ia pedir ao governo que tomasse medidas preventivas porque este clima de temperaturas elevadas para a época e sem precipitação ir-se-ia prolongar, pasme-se, até Janeiro. Mas dizia o gajo que como as albufeiras estão cheias de água não devia haver problema…


Depois, um outro engravatado, calculo eu, aparece a mandar o seu bitaite e diz que a partir de 2ª feira iríamos ter aguaceiros e baixas de temperatura; em suma, um discurso em perfeita dissonância com o do colega.


Assim mesmo. Num dia, dois iluminados conseguem ver supostamente nos mesmos relatórios, nos mesmos gráficos, nas mesmas fotos de satélite, nas mesmas cartas isobáricas, duas coisas completamente diferentes.


Mas como é que isto é possível?


Depois de alguma meditação, cheguei à conclusão que a culpa está na formação.


Eles devem ser treinados na interpretação de dados com pranchas do teste de Rorschach. E assim, tal como nesse teste das manchas de tinta, cada um vê o que bem entender. Um vê um camelo a beber água no deserto e outro uma mulher da vida no Conde Redondo. Só assim se explica que um diga que chove para o outro dizer que faz sol....


Como adepto do livre arbítrio que sou, a partir de agora também eu vou tentar vislumbrar um calor de 40ºc ou uma chuvada de 3 dias e 3 noites nesses borrões de tinta, e depois com a experiência adquirida, eventualmente até num daqueles mapas da meteorologia.


E vou começar já por este:

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Os ontens e os amanhãs

“No matter how cold the winter, there's a springtime ahead”

Hoje andei todo o santo dia com esta frase na cabeça, sem me conseguir abstrair dela nem do seu sentido; o literal e aquele que eu lhe dou, dentro do seu contexto.

Esta frase faz parte da arrepiante letra de “Thumbing My Way”, uma das mais lindas músicas de sempre dos Pearl Jam. E para mim isso é dizer muito, não fosse esta a minha banda preferida e que eu considero ter pelo menos umas 40 grandes canções.

Mas isso agora não interessa nada.

Existem canções e principalmente letras que adquirem uma dimensão especial em nós, pelo que dizem, pelo que nós lemos nelas ou pelos pensamentos que trazem a reboque.

Esta a mim perfura-me o peito e dá-me um abanão na alma com uma gentileza arrebatadora.

Fica o vídeo e a letra.

I have not been home since you left long ago
I'm thumbing my way back to heaven

Counting steps,.. walking backwards on the road
I'm counting my way back to heaven

I can't be free with what's locked inside of me...
If there was a key, you took it in your hands.
There's no wrong or right,... but I'm sure there's good and bad
The questions linger overhead

No matter how cold the winter, there's a springtime ahead
I'm thumbing my way back to heaven
I wish that I could hold you... wish that I had
Thinking 'bout heaven

I let go of a rope,... thinking that's what held me back
And in time I've realized,... it's now wrapped around my neck
I can't see what's next,... from this lonely overpass
Hang my head and count my steps, as another car goes past

All the rusted sign we ignore throughout our lives
Choosing the shiny ones instead
I turned my back,... now there's no turning back

No matter how cold the winter,.. there's a springtime ahead
I smile, but who am I kidding?
I'm just walking the miles,.. every once in a while I'll get a ride
I'm thumbing my way back to heaven

Thumbing my way back to heaven
I'm thumbing my way back to heaven...


domingo, 11 de novembro de 2007

A verdade está lá fora


Bebés. Tenho de falar de bebés. Isto porque estes homens e mulheres em miniatura (o nosso amanhã, o futuro deste país e essas frases feitas todas) são a prova de que a informação que nos chega via media é manipulada e só sabemos aquilo que querem que saibamos, ao melhor estilo do Matrix ou de um filme do John Carpenter.

Quantas vezes ouvi atentados à inteligência como “a população portuguesa está envelhecida” ou estatísticas deficientes do calibre de “para cada criança há três velhos”. Aliás: idosos, peço desculpa. Que se chegar à idade de pagar meio-bilhete de novo no comboio, também não quero ir ali a passar no campo da bola e os putos virarem-se para mim com um perfurante “oh velho passa aí a bola faxavor”. É que isso deve doer muito mais que aquela doença que dói quando se faz xixi.

Enfim. Isto para dizer que é tudo uma aldrabice. Parem de nos empurrar pela garganta abaixo meias verdades e tretas absolutas. Não há nada um défice de natalidade em Portugal. É falso. Não somos um país com 17% de pessoas com + de 65 anos. É mentira.

A verdade, essa atingiu-me hoje depois do jantar. E estou disposto a partilhá-la, ‘for the greater good’. Não sei se teve alguma coisa a ver com o strogonoff, mas ainda arrotava alarvemente ao molho de camarão quando se me deu mais uma das minha epifanias.
Um momento de revelação. Ei-lo.

O que eles não querem que se saiba é que Portugal está cheio de bebés. Há bebés por todo o lado. Estamos perante um “baby boom” sem precedentes que certos lobbys e grupos de pressão procuram encobrir, no interesse não sei bem de quem. Posso especular, mas também fazer a teoria da conspiração toda de uma vez, tira um bocado de piada à coisa.

Uma ressalva antes de ir trancar os meus 6 cadeados. Isto não é em nenhum momento um texto contra as crianças ou os pais que a decidiram ou que tiveram azar em concebê-las, pelo contrário, pois não há coisinha mai linda que um bebé.
Isto é sim um exemplo de como os serviços secretos portugueses funcionam e não são só aquelas 2 donas de casa que em part-time ouvem as conversas do procurador-geral da república.
Mas de qualquer modo, desafio alguém a arranjar um sítio público com movimento (com a febre do Natal não deve ser difícil) em que no meio de umas 15 pessoas não esteja um bebé. Quero ver...

Nota: texto escrito sob condições adversas de sanidade mental; tanto cinema põe-me estúpido.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Caturreira!

Eu não sou muito de ir para aquelas bandas, mas hoje estive o dia no Cascais Villa, o novo centro comercial dessa localidade amaldiçoada há mais de 20 anos pelos Delfins, e devo dizer que foi uma excelente experiência sociológica.
Aquele ‘shopping center’ é como um microcosmos povoado por todo o tipo de fauna que encontra naquela zona ‘chic’ o seu habitat. Praticamente um jardim zoológico sem grades onde as mais perigosas espécies andam em liberdade, sem que ninguém se mostre melindrado ou apreensivo por tal.
Uma espécie rara, em particular por onde eu moro (sim, sou um gajo do subúrbio), prendeu-me a atenção. Um animal complexo, ora predador ora presa, com pelugem muito típica e com comportamentos em grupo bastante estilizados. E não há nada como ver um destes seres irracionais a movimentarem-se no seu ambiente natural, de onde saem com relutância e só em manadas ou sob escolta de um engravatado num carrito de 50 000€ para cima; muitas vezes conseguem-se camuflar no meio dos demais seres, mas qualquer imbecil, e aí entro eu, consegue topá-las a milhas.
Falo das tias! E não as irmãs do papá ou da mamã, mas aquelas tias mesmo tias, da Linha, as super-tias, super-bronzeadas, super-loiras, super-cheias-de-si-mesmas, super-vistosas, super-nada!
Mas foi bom vê-las. Porque já não me lembrava que existiam. Sim, porque ele houve uma altura em que até no bairro de lata havia ‘tias’ (e já agora ‘tios’), gente parva com umas roupas parolas que julgavam assim adquirir um status que não sei bem quem, talvez as revistas, colou aquela imagem. E como todas as modas essa passou, e com ela separou-se o trigo do joio, e actualmente tias só mesmo na savana original, no eixo Oeiras-Estoril-Cascais. E o pior/melhor é que amanhã estou lá de novo!
E pior/melhor ainda é que "quem desdenha quer comprar" e como eu estou a delirar com sono isto posso não ser eu a falar...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Porque uma musiquinha gira por dia dá saúde e alegria!
E porque esta é uma das maiores bandas do mundo (29 membros)!
E porque o vocalista tem um bigode mesmo à faxavor.



Vá lá, que quem canta seus males espanta. (Isto já leva dois provérbios do avôzinho. É melhor que me fique por aqui.)

I'm gonna sing this song with all of my friends
and we're I'm from Barcelona
Love is a feeling that we don't understand
but we're gonna give it to ya

We'll aim for the stars
We'll aim for your heart when the night comes
And we'll bring you love
You'll be one of us when the night comes

'Strange days have found us'

Há cenas que me lixam, pá! Cenas inesperadas que põem em causa a minha integridade física e mental, e sobre as quais não sou capaz de exercer qualquer controlo. E hoje foi um desses dias em que o absurdo me caiu em cima, vindo do céu aos trambolhões e não me consegui desviar. E basicamente passei o dia dentro duma peça do Samuel Beckett.
Primeiro com uma chamada psicadélica para o meu telemóvel de uma qualquer telefonista a querer desmarcar uma consulta de oftalmologia que está mais que visto eu não tinha marcado. Foi-se a ver que se calhar era ela a quem uma consultazinha à vista devia ser encarada com bons olhos. A moça não era muito dada a números e ligou para o meu na esperança de encontrar do outro lado acho que uma D. Isabel Faria ou algo que o valha. Não sou o Tom Waits (quem é que paga aí um conhaque?), mas pela voz devia ter logo visto que se tinha enganado e que Isabel é que eu não era. Enfim, ‘errare humanum est’ e há que dar um desconto. É segunda-feira e tal, e um 1 é parecido com um 7 e o 6 visto ao contrário é um 9. Vá, não faz mal, adeus, bom dia, com licença.
Depois a coisinha mais linda. Na sexta-feira comprei uns ténis novos, confortáveis(?) e giros. Como até lá andava descalço, na 6ª à noite estreei-os logo. E no sábado também levei-os a passear. No domingo lá lhes dei descanso. Hoje a seguir ao almoço, montei-me nos ditos cujos e pus-me a caminho do centro da capital. O que parecia uma tarde calma e pacata a deambular por Lisboa com cheiro a castanhas e a poluição, transformou-se num calvário que até o Mel Gibson se recusaria a filmar. Não é que os (meter asneira aqui) dos ténis ao terceiro dia resolvem transformar-se num cão raivoso e roerem-me o calcanhar esquerdo todinho? Não queria acreditar naquilo. Então estes sacanas eram tão macios e agora parece que tenho as botas da tropa do Fidel Castro calçadas? Porra! Resumindo, admito que a caminhada entre o Largo da Estefânia e o comboio de Entrecampos, que em dias normais faz-se bem e poupa-se uma senha de Metro, hoje revelou-se uma provação de uma dureza indescritível. Até ia a ouvir Band of Horses pela Av. da República a fora mas nem aquelas canções doces me aliviaram a dor. Cheguei a casa com uma bolha XXL e uns quantos quilómetros de figuras tristes, ao tentar ao mesmo tempo andar direito e ter o mínimo de dor.
E depois para acabar, ponho-me a ver um filme do Almodóvar, de 1983, “Entre Tinieblas” (em português parece que é o “Negros Hábitos”) e pronto, atirei-me para o chão. Já sabia que o Almodóvar era um adepto do politicamente incorrecto e que gostava de abordar temas controversos, com o seu estilo muito próprio. Mas o que vi hoje foi algo de muito à frente.
O filme trata muito simplesmente de um grupo de freiras lésbicas viciadas em drogas duras, que vivem num convento onde dão abrigo a drogadas que procuram redenção ou um sítio para dormir, e que vendem o espólio da igreja para comprar coca, cavalo e ácidos. E têm nomes tão espectaculares como Irmã Rata de Esgoto ou Irmã Esterco. E o animalzinho de estimação é só um tigre gigantesco. Memorável, mesmo. E depois tem diálogos que são pérolas do humor negro. É que nunca pensei ouvir da boca de uma freira coisas como “Não, sabes que não gosto de drogas leves.” Que maravilha!
Há dias assim. Em que chegamos ao fim cheios de mazelas no corpo e na mente. E o pior é que está para durar. Almodóvares tenho de ver mais uns cinco e o calcanhar ainda vai demorar uns tempos a pôr-se bom. Amanhã vou de chinelos para a Rua Augusta, na esperança que me chamem labrego.
Ah, o filme passa no European Film Festival, assim como todos os outros do Pedro.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Do outro lado do rio


Tive desde sexta-feira à tarde até domingo à noite, quatro filmes para ver, imposições da minha função no European Film Festival. Mas como sou calão, não vi nenhum nem na sexta nem no sábado, o que me deixou com os 4 para ver num dia.
Curiosamente, quatro filmes portugueses, de realizadores mais ou menos consagrados, se é que há lugar e espaço para consagrações na minúscula indústria cinematográfica portuguesa. Todas obras recentes (dois estrearam em Outubro) e todos eles dignos, mais que não seja, de um louvor. De quando em vez lá tenho de engolir uns sapos e admitir que o cinema português consegue ter os seus momentos. Fugazes porém, mas todavia, momentos.
Mas, afortunadamente, ainda há filmes feitos aqui no burgo que conseguem mais do que isso. E é aí que entra “A Outra Margem”, última longa-metragem de Luís Filipe Rocha, realizador de “Adeus, Pai” ou “Camarate”.
E senti algo que não sinto muitas vezes, algo que pelo menos no “Lost In Translation” lembra-me perfeitamente de acontecer. (Ainda que com as devidas distâncias; o filme da Sofia Coppola é, a meu ver, um filme gigante. E não é por ter a Scarlett. Ou não é só por isso...) É uma sensação de quase-medo, quase-tristeza por não querer que o filme chegue ao fim. Porque a história e principalmente as personagens agarram-nos, não do jeito que o faz um bom ‘thriller’ ou um mistério do Poirot (Mas quem é que afinal matou o Barão Strogonoff na casa de banho da mansão? Vais dizer-nos ou não, Hercule?). Não. É diferente. É que é um filme tão tremendamente humano que faz confusão, pois as emoções, dentro e fora do ecrã, estão à flor da pele o filme todo. É a vida real atirada à cara não pelo telejornal mas pela enganadora “fábrica de sonhos”, o cinema. Mas com luvas de cetim...
A história coloca em conflito as noções estabelecidas do que é ser “normal” e “diferente” numa sociedade moralista e preconceituosa, que é a nossa, está claro. Através dos olhos de um travesti e de um rapaz com trissomia 21, temos direito a dois pontos de vista distintos do que é estar do outro lado do rio. O lado da diferença, da exclusão. E como o rio que separa as suas margens, metáfora tão bem explorada no filme, pode deixar de ser obstáculo se nos dermos ao trabalho de construir pontes que o atravessem.
E depois os actores. Três excelentes interpretações. Não só Filipe Duarte e Tomás Almeida (a diferença faz a diferença), já distinguidos ex-aequo com o prémio de Melhor Actor no Festival de Montreal no Canadá, mas também Maria D’Aires, a mãe do maravilhoso Vasco.
E a fotografia de Edgar Moura não é nada de deitar fora. Nada mesmo.
O filme está nos cinemas um pouco por todo o país e acho que merece ser visto. Se alguém resolver ir na sexta-feira, dia 9, à projecção incluída na programação do European Film Festival, a gente vê-se por lá.
Fica aqui uma amostra do que se pode esperar:



Ah, os outros filmes eram o “O Julgamento” de Leonel Vieira, “O Mistério da Estrada de Sintra” de Jorge Paixão da Costa e “20,13” de Joaquim Leitão.

sábado, 3 de novembro de 2007

Carne e Sistemas Operativos

A ingestão de álcool aliada à estupidez e à tendência inata para dizer barbaridades de grau elevado dá sempre a garantia de alguns momentos absurdamente bonitos, dignos dos melhores textos dos Monty Python ou do Herman da velha guarda.
Aliás, acho mesmo que os que escrevem humor devem ter como uma das principais fontes de inspiração a observação de um grupo de indivíduos ébrios e imbecis a dispararem pérolas refinadas do mais puro non-sense, em proporção directa com a quantidade de etanol que o fluxo sanguíneo lhes empurra para o cérebro. Isto quando não são os próprios autores a recorrer a substâncias psicotrópicas para catalisar a produção artística. Alguém tem dúvidas que o Herman dava na coca enquanto escrevia alguns dos sketches épicos dos tempos da RTP ou que essa nova geração de humoristas tugas fuma tudo o seu canhãozito da paz, antes, durante e depois da elaboração de um texto humorístico? (Ainda me vão processar por isto.) Mas ainda bem que o fazem.
Agora há aqueles casos em que comuns anónimos da sociedade se aventuram pelos terrenos inóspitos do humor alarve, culpa da bebida que abunda e do ambiente que ajuda. E um ponto de discórdia é o rastilho necessário para fazer despoletar um debate de proporções bíblicas, sem ética nem respeito nem consideração nem nada. Mas com muita, muita piada. E é aí que tocamos no céu e damos graças aos nossos pais por estarmos ali.
Quem explica o facto de se conseguir meter na mesma linha de raciocínio a discussão sobre ser ou não vegetariano (Um Contra Todos, só falta o Malato a apresentar) e o Windows mais o Linux? Manifesta senilidade na argumentação, porque ainda que um porco tenha ‘valor’, o que somos nós para o Bill Gates? Correcto: um porco! Porque o papel do porco é alimentar-nos. Assim como foi com muitos outros antes dele. Porque tu não comeste um mamute, mas alguém já comeu! E gostou! E a costeleta de hiena, Zé Efeitos? Pouco boa…
E como é fantástico e inesquecível ver ao vivo alguém dizer ‘Agarra-me nos meus óculos” utilizando apenas duas palavras. São os Luís de Matos da língua portuguesa, génios escondidos na sombra a quem ninguém dá o valor devido. Eu disse ‘valor’? Se calhar queria dizer que há um gajo no Algarve que sozinho contra 4 infelizes, dá um murro em cada um que desmaiam os 3. Mas o que acontece ao 4º, Capitão Pipos? Morre? Ou fica sem um olho?

Verdade verdadinha

Aceitando o desafio de Madame Leila*, aqui vão "5 afirmações gritantemente surreais":

# O António Variações era um macho viril e teve um caso com a Madonna e foi ela que o infectou com Sida. (Esta pode contar como uma, sim?)

# Além de virgem, o Cristiano Ronaldo não joga um cara***.

# Marques Mendes é calmeirão, roça até o gigantismo.

# É fácil compreender as mulheres. Na verdade são seres simples, bastante rudimentares.

# O Belém não é o melhor clube do Mundo.

E para sustentar esta última, deliciem-se com o grande golo do Belenenses ontem no Estádio do Dragão, carago. No Cristo do Zé Pedro eu creio.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Ser Vito Corleone

O bom cinema é aquele que se prolonga para lá da palavra ‘Fim’ ou do início dos créditos finais. É aquele que se mantém na nossa cabeça durante horas, dias, meses, uma vida. Que nos assalta as ideias, que nos altera a percepção das coisas e nos faz pensar muito para além do tempo da sua duração.

E ele há quem encontre felicidade nas coisas mais estranhas, insignificantes ou banais. Para mim, a sensação que me invade, por vezes durante, mas principalmente após ver um grande filme, é a meu ver, algo muito próximo de um momento de máxima satisfação intelectual e emocional. Aquele sentimento de que acabámos de ver algo que tem de ser classificado como uma obra de arte como o são a ‘Metamorfose de Narciso’ de Dali ou o 2º golo de Maradona contra a Inglaterra no Mundial de ’86.

Essa convulsão atacou-me neste fim-de-semana quando revi os dois primeiros tomos da brilhante trilogia ‘The Godfather’ de Francis Ford Coppola, a partir da obra homónima do escritor nova-iorquino de origem siciliana Mario Puzo.

Tudo conflui em direcção à excelência. A densidade e intensidade do argumento e dos diálogos, do recontar da história daquela família, a realização e a fotografia, o acompanhamento musical tão Itália do Sul, o uso do dialecto siciliano/napolitano ou o enquadramento histórico.

Mas o ponto que mais me fascina nos ‘Padrinhos’ é a força e a sinergia partilhadas entre actores e personagens, principalmente na figura de Vito Corleone, umas das mais emblemáticas da 7ªarte. Uma personagem mágica que levou a um caso ímpar na história da entrega dos Óscares: dois actores diferentes a serem galardoados com um Óscar pela mesma personagem (curiosamente nenhum deles subiu ao palco para receber a estátua careca).

No primeiro ‘Padrinho’, o patriarca da família Corleone é desempenhado com um desarmante carisma por Marlon Brando, então numa fase mais amarga da carreira, depois de uns anos 50 absurdamente brilhantes, com 5 nomeações para Melhor Actor e uma estatueta arrecadada com ‘Há Lodo no Cais’ (1954). À sexta nomeação rejeitou o galardão, alegando a defesa dos índios nativos norte-americanos, difamados pela indústria do cinema durante 60 anos.

Na 2ªparte de ‘O Padrinho’, coube a um então ilustre desconhecido Robert de Niro pegar em Don Vito antes de ser Don, quando era apenas um imigrante siciliano em Nova Iorque, fugido da sua ilha natal do Mediterrâneo depois de ver a sua família assassinada pela Máfia local, a original, a dos ‘uomini d’onore’. Numa série de ‘flashbacks’, De Niro procede a uma inigualável construção e desenvolvimento da personagem antes de se tornar ‘capofamiglia’ dos Corleone, mostrando as suas motivações e objectivos. Este papel valeu-lhe o seu primeiro Óscar (Melhor Actor Secundário), logo à primeira nomeação, em 1975. Também não subiu ao palco do Dorothy Chandler Pavillion de Los Angeles para receber a estatueta, cabendo a Coppola tal “frete”.

O cinema cria sonhos. E alguns desses sonhos tornam-se realidade para muitos. A imensidão da figura de Vito Corleone dá-me vontade de vê-la para além de uma personagem, como se uma pessoa assim quase que passasse a existir, depois de tão fantasticamente construída, desenvolvida e interpretada. No meu planeta Terra viveu um homem chamado Vito Andolini ‘Corleone’. Se calhar sou autista ou apenas risível. Vou ver o III.

Para sermos melhores pessoas:


Porque não se sabe quando é que informação perfeitamente inútil pode vir a dar jeito.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

“Juro por este copo de sumo”


A resposta à pergunta, “O que te levou a criar um blogue?”, deve obter quase tantas respostas diferentes como pessoas que se dispuserem a respondê-la. Se bem que a premissa comum de um certo desejo de expressão pessoal as deva tocar todas em algum ponto.
No meu caso, à 2ª é de vez. A minha primeira tentativa de fazer um blogue remonta ao remoto mês de Setembro de 2003, em que sucumbi sem dar luta a esse temível vilão, o HTML e uma outra enfermidade, essa muito mais recorrente em mim, o facto de ser calão.
Esse nado-morto aguentou 2 posts para depois entrar em letargia absoluta até há pouco tempo, quando decidi criar este. Desenterrei o monstro só para me certificar que estava mesmo morto e voltei a esconder o cadáver.
Assim, mais de 4 anos desde essa última desventura, e espicaçado pela criação de um mui recomendável blogue afiliado, resolvi voltar à luta, para encontrar a minha némesis muito mais enfraquecida. O HTML já não é o papão de outrora e o processo de criação/configuração de um blogue está muito mais simplificado. E ainda bem, porque sempre fui pouco lesto em informática que fosse muito além do básico. Nunca apanhei nenhum ‘choque tecnológico’, tenho medo de me magoar.
Depois de vários dias a ameaçar meter o blogue online, mas sempre sem inspiração para escrever nada que fosse (daí a imagem do post inaugural), acabei por seguir o exemplo de um afegão pouco erudito que num certo documentário no doclisboa deste ano, e num assunto delicado, jurava não por Alá nem pela saúde dos filhos, como faziam os seus conterrâneos que fumavam menos ópio que ele, mas por um copo de sumo. Um copo de sumo, caraças.
E assim foi. Como uma promessa é uma promessa e apesar não beber sumo algum há umas semanas, comprometi-me com um anjo e com um demónio que o blogue estaria online ontem. E por tal facto peço desculpa.
Informação valiosa para quem quer ter um Sábado em grande: amanhã joga o Belém no Restelo e à noite há 4 horas de Spike Lee na Culturgest.

A efeméride

Existem acontecimentos na nossa infância que definem o nosso futuro.
E o pior é que muitas vezes isso acontece sem qualquer controlo da nossa parte, nós inocentes criançolas que julgamos que o amanhã não vem nunca e que o hoje ainda vai durar um bom bocado, ‘deve dar tempo para comer mais umas gomas e tentar ganhar um guelas ou dois ao vizinho que coitado é estrábico, não acerta no buraco.’
A minha epifania sucedeu fez ontem 21 ou 22 anos; (não há consenso se foi em 1985 ou 1986, a falta de memória dos meus pais é preocupante.)
Corria então o dia 25 do mês 10 desse tal ano (qual?) quando num desenfreado jogo da apanhada com o filho da minha ama, não sei como fiz aquilo mas entrei na varanda sem abrir a porta e parti a cabeça em 3 sítios.
Nunca mais fui o mesmo.
Aquela pancada fez de mim o que sou hoje.
E pensar, depois destes anos todos, que se fosse uma criança com trambelho e não andasse às marradas às janelas, hoje podia ser alguém na vida.
Assim sou um nada, e não sei nadar.