Sempre temi pelo regresso dos Soundgarden, desde que Matt Cameron se estabeleceu como o baterista a tempo inteiro dos Pearl Jam. Tinha para mim, que se eles voltassem, o Matt deixaria os PJ para voltar à sua banda de sempre, deixando mais uma vez a banda sem baterista. Ele que tinha estado com os Soundgarden até 1997, e que no Verão de 1998 foi convidado pela turma Jeff, Ed, Stone e Mike para os safar, depois de Jack Irons ter-se chegado aos membros dos PJ e ter dito algo do género: "Pessoal, sabem aquela tour americana com uns 25 concertos que temos agendada para começar daqui a umas semanas? Epá, não vai dar para ir. Sinto-me sem saúde nem vontade para o fazer, desculpem lá mas vou bazar da banda. Depois combinamos para ir beber um copo. Adeus."
Matt disse que não tinha nada de especial para fazer nesse Verão, pelo que aceitou o convite e em 15 dias aprendeu 80 canções. Durante a tour, surgiu o convite para se tornar num membro permanente da banda, ao que ele anuiu, tornando-se o quinto baterista dos PJ, e o recordista em termos de longevidade, 14 anos and counting.
Quis o destino que em 2011 os Soundgarden voltassem a juntar-se para tocar, o que acabou por dar azo à gravação de um novo disco - o muito recomendável "King Animal", que saiu ontem e mostra uma banda em grande forma, até a voz de Chris Cornell parece ressuscitada - e com ele a necessidade de mais concertos.
Diz que Matt disse logo de caras aos colegas de SG que não iria abandonar os PJ, mas que estava muito empenhado em trazer de volta a banda de "Spoonman". Assim, de um momento para o outro, Matt Cameron tornou-se no baterista com mais trabalho do mundo; ora estava na Alemanha com os Soundgarden como estava na Florida com os Pearl Jam.
Por agora, e até Fevereiro estará em tour com os Soundgarden pela América do Norte, aproveitando a paragem dos Pearl Jam, que dá tempo para a tour a solo de Eddie Vedder por estes dias nos EUA, como para Jeff Ament levar para a estrada a sua nova banda, RNDM; também Stone Gossard, envolvido com os seus Brad, que vêm à Europa em 2013 vai estando entretido, até o Mike McCready aproveita para tocar com Star Anna, Shadow e dar palestras sobre o sistema nacional de saúde americano.
Em Março, os Pearl Jam vão à América do Sul, e depois disso é que é a incógnita. Matt Cameron já desmentiu os rumores de uma tour conjunta de PJ/SG, o que o faria tocar umas 5 horas por noite, ele que faz 50 anos no fim do mês. Assim, e com o burburinho de um show de Pearl Jam em Berlim no Verão de 2013, mas também com os Soundgarden a quererem apresentar na Europa o seu comeback show, veremos o que decidem as bandas e Matt Cameron principalmente.
Fiquemos com uma das duas canções do catálogo dos PJ que contam com letra e música de Matt Cameron.
Do filme "Take This Waltz" não se tiram grandes coisas. É um filme que cai numa temática demasiado batida sem conseguir sair dos seus lugares comuns, que pelo caminho prova que o redondo Seth Rogen é claramente apenas um actor cómico mas que a Michelle Williams é mesmo boa actriz.
Porém, existe algo neste filme que suplanta tudo o resto em qualidade. Falo da versão de Miss Leslie Feist de "Closing Time", origninal do mestre Leonard Cohen (que também empresta a canção que dá o titulo ao filme). Infelizmente, esta canção anda armada em fantasma, pois não se deixa ver em lado nenhum. Nem na banda-sonora do filme, que aparentemente não existe em qualquer formato, nem foi ainda liberada por parte de Feist ou outra qualquer fonte. Assim, a única forma de escutá-la é vendo a cena do filme em que a canção está inserida. E para isso ainda bem que há o iutubi.
O documentário de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo sobre a vida e obra de José Mário Branco está à procura de crowdfunding. Por 10 euros podemos contribuir e fazer parte de um documento sobre um dos maiores artistas e autores da música portuguesa. Acho que é bom negócio. Bom fim-de-semana.
É que não é por ser a banda nova do Jeff Ament, baixista dos Pearl Jam, mas este som dos RNDM, assim como todo o disco "Acts", é uma bela surpresa. Gosto bastante.
RNDM - "Modern Times" (2012)
O disco da semana por estes lados, juntamente com o novo "King Animal" dos Soundgarden, que também conta com outro membro dos PJ, o baterista Matt Cameron. Não dá para fugir. Esta aqui é muito boa:
Aqui começa uma série de posts para mostrar que também é possível uma miúda ser gira e conseguir ao mesmo tempo fazer boa música. Apresento-vos os primeiros doze exemplos disso, colheita "indie dos anos 00", sem qualquer ordem específica.
Fact: Reading can make you a better conversationalist. Fact: Neighbours will never complain that your book is too loud. Fact: Knowledge by osmosis has not yet been perfected. You'd better read. Fact: Books have stopped bullets - reading might save your life. Fact: Dinosaurs didn't read. Look what happened to them. *roubados de um mail da abebooks.co.uk
A relação entre Eddie Vedder e Sean Penn começa em 1995, quando o vocalista dos Pearl Jam contribuiu com duascanções para o filme que deu a Penn a primeira nomeação para um Oscar, "Dead Man Walking". Voltam a encontrar-se de novo em 2001, quando Sean Penn pede a Eddie Vedder para contribuir com uma versão dos Beatles para o filme "I Am Sam", mais um grande papel de Penn e mais uma nomeação ao Oscar.
Tornaram-se bons amigos ao longo dos anos, pelo que foi com naturalidade que surgiu, em 2006, o convite de Penn para o amigo de Seattle colaborar na sua última aventura na realização, "Into The Wild".
Mas segundo reza a história, a primeira ideia de Sean Penn era ter Eddie Vedder como actor no filme, ainda antes sequer de começar as filmagens.
Eddie pediu alguns dias para pensar, e acabou por responder através de uma canção, até agora nunca divulgada, que chamou "I Can't", nas quais explicava as razões para ter de declinar o convite de representação.
O tempo passou, Penn fez o filme, e quando já tinha uma versão quase final do mesmo, inclusive com trilha sonora, encontrou-se com Vedder e mostrou-lho. No fim do filme, Sean pergunta ao vocalista dos Pearl Jam se ele acha que pode contribuir com algo para o filme. Eddie fica surpreso, responde que o filme está óptimo e que não vê o que poderia acrescentar. Penn deixa-lhe a cópia do filme e diz-lhe que tente inspirar-se. "Just go with it, go see what happens." Eddie acabou por criar um conjunto de canções e instrumentais que encaixassem na perfeição no filme, não só no tema e tom das canções, como na própria duração das mesmas, feitas à medida para a trama do filme. Passadas umas semanas apresentou as primeiras demos a Penn, que ficou estupefacto. O resultado final é uma das melhores bandas-sonoras originais de sempre, na minha opinião facciosa é mesmo a melhor que já se fez.